
Breves comentários sobre o artigo de Nicolau Sevcenko,O Front brasileiro na guerra verde: vegetais,colonialismo e cultura.
Nicolau Sevcenko, no artigo estudado, demonstra brilhantismo ao jogar com as palavras de uma maneira didática para explanar sobre o imaginário do colonizador em sua relação com a natureza do novo mundo. O autor penetra nos medos do colonizador, como também nas percepções sensoriais mais diversas por meio de uma escrita fascinante.
“A paisagem é a coisa amada”,disserta Sevcenko sobre a admiração inicial do colonizador com o novo mundo, mas tal admiração não é sinônimo de amor pela natureza, mas sim de vontade de tê-la para si.O mundo exuberante e saturado de preciosidades, saltavam aos olhos do europeu como uma virgem atraente e com grandes vocações para a luxúria.
Os Cristãos em terras pagãs iniciavam uma guerra que não era santa, mas sim uma guerra de pecados capitais. “O paraíso terreno”,assim era descrito o novo mundo pelos cronistas europeus, que passaram a amar, a desfrutar de cada maravilha proporcionada pelas sensações causadas pelo novo mundo, que era também novas cores, novos cheiros, e novos desejos.O pecado original que expulsou Adão e Eva do paraíso parecia estar redimido, Deus escolheria a cristandade para levar o evangelho ao novo mundo, os nativos ainda estariam em uma humanidade infantil,sendo incapazes de desfrutar dos prazeres que a luxuriosa natureza tinha para ofertar.Então o colonizador se via moralmente livre pra desfrutar das dádivas do paraíso.
Porém a natureza não se apresentaria como ninfa passiva a espera da aproximação de seu amante , ao tentar tocar-la o colonizador percebeu diante de si uma feroz amazona.A luxúria dava lugar a Ira, o papel de poeta amante dava lugar ao de invasor inimigo.E a guerra verde estaria instaurada.Se os europeus ainda pensavam em desfrutar dos atrativos da virgem do novo mundo, não seriam capazes de tê-la por meio de sedução, só lhes restavam o estupro.E assim se deu as relações do projeto colonizador com a natureza, a virgem do novo mundo se transformava depois de penetrada em bruxa do novo mundo,herética e inimiga da cristandade.
Natureza do novo mundo, a virgem caçada como bruxa pelos europeus. Analogia minha oriunda de reflexões geradas pela leitura de Sevcenko, mas também pela citação apocalíptica de Paulo Prado: “Felizes os que ainda puderem apanhar nos fugidios delineamentos os derradeiros traços dessa paisagem histórica já ameaçada pelo tempo igualitário, que só lhe conservará a carcaça indestrutível do céu e da terra, e que será a última testemunha presente das lutas,ambições e glórias do passado”. Por conseguir formular pensamentos que vão de encontro aos intuitos de Sevcenko de mostrar a trajetória da natureza brasileira do paraíso para a carcaça,penso que posso ter um bom conceito acerca das conclusões que pude chegar, mas ainda sem estar satisfeito, e sabendo que os problemas expostos no texto ainda exigem várias buscas das relações entre as diferentes manifestações humanas e a natureza.
É possível lutar por liberdade e ser associado a regimes totalitários de Esquerda?
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